Bookstore Barnes & Noble, Manhattan – New York, USA

B&N

Foi em 1873 que Charles Montgomery Barnes, um grande amante por leitura, começou um pequeno negócio de livros usados que funcionava em sua própria casa na cidade de Wheaton, em Illinois. No ano seguinte, mudou-se para Chicago, e o pequeno negócio recebeu o nome de C.M. Barnes Company, agora vendendo livros novos e usados, e se especializou em livros didáticos. Em 1902, seu filho, William Barnes, tornou-se presidente da empresa, e fez o negócio crescer com a ajuda de outros sócios. Em 1917, vendeu sua parte na empresa e viajou de trem para New York city. Após muita negociação fundou sociedade com Clifford Noble da Noble & Noble, que era especializada em livros educacionais. Assim nasceu a renomeada BARNES & NOBLE.

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De cara com o autor: Diogo Salles

O prefácio da obra foi escrito por Eduardo Baptistão, cartunista. Qual a principal diferença entre o cartum e a charge?

Charge é um desenho gráfico sobre temas políticos e culturais da atualidade. É o que você vê no livro “Trágico e cômico”. É um recorte de nossos últimos anos na política. O cartum também é um comentário gráfico, mas não trata de nenhum tema atual. Seus temas não são perecíveis, como na charge. São atemporais. Bons (ótimos) exemplos de cartum você encontra no trabalho do Henfil e do Millôr. 10269438_761897597183517_630624960470869031_n

 

“Trágico e cômico: Os protestos em charges” foi inspirado nas manifestações de 2013, que sacudiram o Brasil. Você sente que algo mudou de lá para cá, após a realização desses eventos?

Tanto as manifestações de 2013 quanto a Copa do Mundo mudaram o Brasil num aspecto: trouxe a população para o debate sobre o país. Trouxe também efeitos colaterais (como radicais, analfabetos políticos e black blocs), mas, a meu ver, o balanço é positivo. As pessoas passaram a perceber que é preciso participar mais das decisões políticas do dia a dia, que nos afetam muito mais do que, por exemplo, o resultado de uma Copa do Mundo ou o final de uma novela. Não que futebol e novela devam sair da vida das pessoas, mas não podem ser prioridades, pois não possuem efeito algum sobre temas como a escola do seu filho, o transporte que você usa para ir ao trabalho ou os preços dos alimentos que você compra.

 

Um dos pontos fundamentais do livro é a disputa entre partidos de direita e esquerda. Com as eleições se aproximando, você acredita que essa polarização de partidos prejudica a evolução da política brasileira?

Não só prejudica como também representa um enorme desserviço ao país. Em vez de explicar, esclarecer, iluminar, tanto os políticos quanto seus blogueiros-lacaios (retratados no livro) contribuem só para aumentar o ódio, o preconceito e o recalque. E repare como essas figuras passam a maioria de seu tempo atacando “o outro lado”, muito mais do que argumentando em favor de seus ideais. Não há proposta, apenas uma linha de ataque, uma guerra de narrativas e memes, muitas delas desconectadas da realidade. E ao eleitor, esse extremismo não deixa outra opção senão aderir bovinamente a um “lado” ou negar a política completamente e se distanciar do debate. Acho que “Trágico e cômico” pode ser uma leitura interessante a quem quer entrar no debate sem ser enganado pelos discursos obscurantistas dessa gente.

 

Outro ponto retratado no livro é a Copa do Mundo. Havia grande expectativa quanto a possibilidade de o Brasil se tornar campeão. Será que podemos tirar alguma lição de tudo isso, após “voltarmos para a realidade”? O que podemos esperar dos Jogos Olímpicos de 2016?

Acho que essa Copa foi educativa ao mostrar às pessoas o quanto ficou deturpada a noção de “patriotismo” por aqui. Nesse Mundial, vi pessoas se sentindo mais brasileiras porque xingaram a presidente da República, vaiaram o hino do Chile e fizeram ameaças e insultos racistas ao colombiano que tirou Neymar da copa. Minha esperança é que as pessoas enxerguem que perder uma Copa não é o fim do mundo, assim como vencê-la também não seria o paraíso. Canalizar todas as nossas esperanças, expectativas e frustrações num time de futebol é um erro. Para se ter uma ideia, fui chamado de “antipatriota” nessa Copa porque não torci pela seleção. Para mim, a noção de pátria é uma construção do dia a dia, e não um espasmo ufanista, que se manifesta de quatro em quatro anos. Podemos ser muito mais do que o estereótipo futebolístico-canarvalesco. Já somos, na verdade. Falta apenas enxergar isso. Quanto à Olimpíada, vejo o mesmo acontecendo em relação à Copa. É possível fazer um bom evento maquiando a cidade para receber turistas. O que temos de pensar é quando os turistas forem embora e nossos problemas cotidianos voltarem.