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A força das mulheres no cinema e no Netflix

mulheres no cinema: por trás da câmera

A força das mulheres no cinema e no Netflix

Sabia que no período de 2018 e 2019, a Netflix teve mais filmes e séries com mulheres à frente e atrás das câmeras do que a média do setor? Uma pesquisa conduzida pelo grupo Annenberg Inclusion Iniciative, da Universidade do Sul da Califórnia, analisou 180 séries e 126 filmes produzidos nos Estados Unidos e chegou à conclusão de que a empresa teve um saldo melhor – no quesito de gênero – do que a média da indústria cinematográfica. Mas, será que essa presença das mulheres no cinema é recente?

Segundo a pesquisa, mais da metade, cerca de 52% de todas as produções do canal, foram estreladas por mulheres no período. As mulheres diretoras também foram destaque da pesquisa – elas comandaram 25% das produções da plataforma em 2018. No critério racial, 31,9% das produções foram protagonizadas por pessoas não brancas.

Claro que há muito espaço para melhorar a representatividade, não só das mulheres no cinema –; mas também de pessoas com deficiência e profissionais LGBTQIA+ – e os gestores estão atentos à essa demanda. Eles anunciaram, inclusive, um investimento de US$ 100 milhões nos próximos cinco anos em organizações com históricos de atuação em comunidades subrepresentadas pelas indústrias de tevê e cinema.

A força feminina no Netflix 

 

Embora haja um aumento de participação feminina promovida pela Netflix nas produções de filmes e séries, esse protagonismo das mulheres no cinema e nas produções audiovisuais não é algo recente. A história mostra que elas foram pioneiras na direção já em 1896.

Pensando nessa presença das mulheres no cinema, resolvi pesquisar sobre o tema. Com surpresa, fiquei sabendo que antes de Hollywood, elas dominavam a indústria cinematográfica. Você sabia?

Mulheres no cinema: pioneiras

Em 1896, Alice Guy-Blaché foi pioneira em dirigir um filme (La fée aux choux, a fada do repolho), em Paris. Depois dessa experiência, mudou para os Estados Unidos e continuou no ofício até 1920, chegando a fazer mais de mil filmes! Uma curiosidade é que ela era filha de um vendedor de livros e cresceu com o hábito da leitura. A familiaridade com a narrativa foi amplamente usada para que se tornasse uma contadora de história por meio do cinema.

Lois Weber, contemporânea de Alice, também tem seu nome no pódio das diretoras mais importantes do cinema norte-americano. Foi a primeira mulher a dirigir um longa-metragem – O Mercador de Veneza, em 1914 – e foi a primeira a ter seu próprio estúdio: Lois Weber Produtions.

Uma outra diretora de destaque foi Dorothy Arzner, a primeira a ingressar no Sindicato dos Diretores Americano.

E não somente na direção; as mulheres fizeram história no cinema, também, como roteiristas; como Frances Marion – a primeira a receber um Oscar de melhor roteiro, em 1930, pelo filme O Presídio. Em sua jornada foram mais de 300 roteiros, figurando como a profissional melhor paga entre os anos de 1920 e 1930.

O que essa narrativa da vida real tem a nos contar? Que embora a luta seja por avanços, muitas vezes, é na verdade uma retomada de terreno. É como se em algum momento a participação das mulheres no cinema (e em outras áreas da sociedade também) – em uma perspectiva evolutiva – fosse rompida. Em seu lugar, se inicia um retrocesso inexplicável.

A ideia de linearidade das conquistas participativas é uma falácia! Além de lutar para conquistar, a maior luta das mulheres se configura no campo do reconhecimento; da manutenção de direitos. Essa é uma grande lição que o olhar para a história das mulheres no cinema pode nos ensinar.

 Lu Magalhães, presidente da Primavera Editorial.