A proibição das toucas de natação para cabelos afro nas Olimpíadas

Toucas de natação para cabelos afro: Close-up of a woman swimmer looking tired after a race. Female wearing black swimsuit, swimming cap and goggles on dark background.

A proibição das toucas de natação para cabelos afro nas Olimpíadas

 

O mundo inteiro está em outro fuso horário, tentando acompanhar as Olimpíadas de Tóquio e também, tentando acompanhar todas as polêmicas que já aconteceram durante os Jogos; –que vão desde à proibição das toucas de natação para cabelos afro, a questões sobre o feminismo, sobre a sexualização dos corpos das atletas; e sobre a importância da saúde mental para atletas de alta performance (vide o caso de Simone Biles). 

 

Sobre as toucas de natação para cabelos afro

De acordo com uma matéria veiculada no jornal O Globo, toucas para cabelo afro – adequadas a dreadlocks, tranças, encaracolados e crespos – foram proibidas na Olimpíada de Tóquio pela Federação Internacional de Natação (FINA). As toucas de natação para cabelos afro da empresa britânica Soul Cap são maiores do que as comumente utilizadas na natação, justamente para proteger os cabelos cacheados e crespos, as tranças e dreadlocks do cloro da piscina.

Na reportagem, Danielle Obe, membro fundadora da Associação de Natação Negra, esclareceu que a touca foi um item criado para evitar que os cabelos lisos flutuassem para o rosto dos nadadores. Ela ainda destaca que o acessório adotado atualmente não está adequado aos cabelos afro que “crescem para cima e desafiam a gravidade”.

 

Uma reflexão sobre o simbolismo dos Jogos Olímpicos

As Olimpíadas acontecem desde 1896, ano que marcou o início dos Jogos Olímpicos da era moderna. Diante dessa proximidade das competições, um pensamento furtivo cruzou minha mente enquanto assistia à programação da TV: na tentativa de explicar o abstrato, dar forma às suas tradições, a sociedade se utiliza de símbolos que dão voz aos sentimentos. Faz sentido?

Explicando melhor… a imagem dos cinco aros interligados, com cores diferentes que representam os continentes – também diz respeito à diversidade de todas as nações –, contrasta com o fundo branco, que simboliza a paz entre os continentes.

Mas será que essas cores precisam de uma nova demão para terem a própria tônica respeitada? A resposta parece ser sim, à medida que algumas notícias vêm à tona. 

Diante da decisão de proibir a “touca afro” nas Olimpíadas, a pergunta que fica é: faltou empatia na decisão de algo que responde diretamente pelo conforto de cada participante, respeitando a diversidade humana? Quando as mulheres atletas serão consideradas na tomada de decisão?

Lutar pela igualdade utilizando-se dos holofotes que um evento dessa envergadura proporciona não é algo novo na história das competições esportivas.

Em 1968, nos Jogos Olímpicos do México, Tommie Smith e John Carlos usaram um emblema no uniforme com os dizeres “Projeto Olímpico dos Direitos Humanos”, que remetia ao movimento criado por Harry Edwards, ex-atleta e sociólogo da Universidade Estadual de San Jose, na Califórnia, que trouxe para o mundo dos esportes importantes discussões sobre a discriminação racial nos Estados Unidos.

Durante a cerimônia de premiação, eles foram os protagonistas de algo que vai além do suor dispendido durante uma competição: a luta pela igualdade racial.

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No pódio, com ambos exibindo punhos cerrados, Smith usou um lenço que simbolizava o orgulho que tinha de sua raça; John Carlos ostentava um color de contas simbolizando as religiões de matriz africana.

Diante de uma crise sanitária que abala a humanidade, que a edição da Olímpiada deste ano fomente na sociedade a sede de justiça por um mundo mais igualitário, que a voz de tantos atletas que são alvos de preconceitos – de todos os tipos – seja ouvida para além dos gritos de ovação, que Tóquio seja o palco de mudanças relevantes no esporte e na vida.