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Homens no Tinder: Por que eles perdem a educação em apps de paquera?

A pergunta que trago no título foi lançada por uma matéria do El País que está repleta de histórias de homens no Tinder que perderam o tal verniz social; e sobre como as mulheres são humilhadas nesse aplicativo de encontros. A reportagem aborda, ainda, o ghosting – termo usado para classificar o “sumiço” de homens que, da noite para o dia, se tornam fantasmas após encontros impecáveis e conversas dignas de cortejos de contos de fadas.

Homens no Tinder: o que esperar deles?

 

A agressividade que alguns homens demonstram não tem a ver com a sexualidade, e sim com o poder. Essa frustração está unida à lógica do sistema capitalista que nos diz que podemos conseguir as coisas aqui e agora em troca de dinheiro – pensamento que influencia a maneira de vivermos nossa sexualidade.

Mas, o que de fato faz com que os homens percam a educação, o senso de dignidade e o mínimo verniz social no Tinder ou em outros aplicativos? Essa não é uma resposta simples de encontrar!

Segundo o sociólogo Javier de Rivera, entrevistado pelo El País, por ser uma plataforma com interesse comercial, o Tinder acaba por incentivar comportamentos competitivos para que haja a melhora da performance financeira do negócio. Algo é transferido para o plano das relações amorosas ou sexuais. Teoria interessante, mas que não me traz a certeza de essa ser a resposta correta para o comportamento dos homens no Tinder. Não que acredite que exista uma única resposta simples para uma questão tão complexa!

 

Sobre os estereótipos

Um ponto bem relevante, descrito na própria reportagem, é que em vez de reduzir os estereótipos de gênero, as plataformas como o Tinder os intensificam. Enquanto as mulheres têm um comportamento mais seletivo no aplicativo, os homens procuram dar match no maior número de “fêmeas”.

E, somado a isso, vivemos em uma sociedade com baixa tolerância à frustração; então, quando esses homens são contrariados em sua vontade, passam a denegrir essas mulheres com frases de baixo calão ou, simplesmente, somem.

E isso acontece com homens no Tinder ou em qualquer outro aplicativo.

De acordo com Delfina Mieville, sexóloga e socióloga ouvida na matéria, “essa agressividade que alguns homens demonstram não tem a ver com a sexualidade, sim com o poder”. Segundo ela, essa frustração está unida à lógica do sistema capitalista que nos diz que podemos conseguir as coisas aqui e agora em troca de dinheiro – pensamento que influencia a maneira de vivermos nossa sexualidade.

“Vivemos em uma sociedade hipersexualizada que vê o sexo como símbolo de sucesso e que valoriza o consumo em massa de pessoas. Além disso, há pouco erotismo do bom tratamento ou da ternura, ao passo que se erotiza o mau trato de maneira constante”, afirma.

Aqui, ela está falando, abertamente, da erotização do xingamento: “sua vagabunda”, é apenas um dos exemplos que mulheres leem de homens no Tinder. Mas, existe algo muito importante para destacarmos: há, também, o componente de ser intocável atrás de uma tela! Na minha opinião, esse elemento oferece ao homem um “passaporte” para ser mais do que desagradável e ir em direção à degradação humana.

Acho importante ressaltar que esse não é um texto moralista que pretende desqualificar pessoas que usam o aplicativo, imprimindo algum juízo de valor. Antes, essa é uma reflexão de que as mulheres estão sendo humilhadas e destratadas há séculos em diferentes plataformas. Mas, obviamente não falo de todos os homens. No entanto, também não podemos naturalizar esse comportamento. E, um dos exemplos, do basta que devemos dar, veio da BIA (Inteligência Artificial do Bradesco).

 

Homens no Tinder e em outros apps: movimento HEY, atualize minha voz!

Depois de registrar inúmeras interações indesejadas, ofensivas e machistas, o banco decidiu agir. Inspirado pelo movimento Hey, atualize minha voz – conduzido pela UNESCO –, os gestores decidiram mudar as respostas da BIA para que ela reaja de maneira justa e firme contra o assédio. Sem meias palavras. Sem submissão.

É muito importante que uma empresa se posicione de maneira clara e nos ajude a construir um futuro com mais respeito às mulheres. Para quem não viu, recomendo assistir ao comercial Chega de Assédio, no qual o Bradesco explica a decisão.