uma ilustração de mulher "experimentando" uma roupa virtual; sobre moda virtual

Moda virtual: sustentabilidade, inovação ou banalização?

Já ouviu falar em moda virtual? Grifes como Gucci têm lançado produtos virtuais para que os consumidores usem em lives e para fotos destinadas às redes sociais; um tênis da marca custa, por exemplo, 17 dólares. No site DressX, o cliente escolhe a peça, coloca a própria foto, paga e já recebe a imagem pronta para postar. Sustentabilidade é parte do discurso que justifica essa tendência. Será?!

 

Razões para a moda virtual ser tendência

Não por acaso, houve um movimento para fortalecer brechós e lojas similares. Um modelo, aliás, que conquistou consumidores de todas as classes sociais justamente por esse viés da sustentabilidade e por ser um contraponto ao consumismo fora de moda. Eis que dessa demanda surgiu a moda virtual!

Na prática, você compra peças que não existem no mundo real, mas que podem ser aplicadas em fotos ou vídeos, como se fossem filtros, para que o consumidor possa desfilar um look novo nas redes sociais. Grifes como Gucci – que lançou um tênis – e lojas virtuais como DressX já embarcaram na tendência.

 

Sustentabilidade em pauta: o futuro da moda

O futuro da moda é virtual, acreditam alguns especialistas. A hipótese que ampara essa premissa está baseada na necessidade dessa indústria se tornar mais sustentável. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU)  apontam que a moda responde por algo entre 8% e 10% das emissões globais de gases-estufa – mais do que a aviação e o transporte marítimo juntos –; é o setor da economia que mais consome água e produz cerca de 20% das águas residuais do mundo; libera, ainda, 500 mil toneladas de microfibras sintéticas nos oceanos todos os anos.

 

Inspiração da moda virtual vem do mundo dos gamers

Mas, apesar de ser tendência, parece que essa coisa de moda virtual não é tão novidade assim! Um artigo publicado na Vogue Business – Designers exploram o futuro da roupa digital, de Meghan McDowell, publicado em 2019 – mostra que esses profissionais já estavam produzindo coleções fotorrealistas com essa modalidade de “vestimenta”.

E, o melhor: os consumidores estavam comprando! A jornalista aponta que essa forma de comprar roupas virtuais é inspirada no universo game; os gamers adquirem peças e acessórios para seus personagens. Com isso, vemos que a inovação está, na essência, no fato de substituir a personagem por pessoas.

Não sabemos o futuro dessa tendência; não podemos nem prever se é um modismo passageiro ou algo que será rotineiro. De qualquer forma, na minha opinião, devemos repensar a nossa relação com o consumo, ou seja, qual o impacto do que eu compro — para o planeta?

Há limites que devem ser repensados e respeitados. Se, por um lado, a moda virtual representa a ideia de sustentabilidade, de outro, continua perpetuando um consumo exagerado que, a meu ver, merece ser revisto à luz de várias questões que envolvem as redes sociais. O que você pensa sobre isso?