Majur, mulher transexual e cacique

Indígena, mulher transexual e cacique, sim senhora!

 

Majur Traytowu é indígena, mulher transexual e cacique. Assumiu o desafio de liderar a Aldeia Apido Paru, na terra indígena Tadarimana, em Rondonópolis, no Mato Grosso. 

Essa mulher transexual inspiradora assumiu o posto de cacique, aos 30 anos, para ocupar o cargo do pai, afastado para tratar de um problema de saúde. Fisioterapeuta e antropóloga, Majur nunca quis liderar, mas sempre se interessou por servir a sua comunidade. O cacique é o chefe político de uma tribo.

(Foto: Majur Traytowu/Arquivo pessoal)

Aos 12 anos, Majur se descobriu transexual e lembra que há relatos de outros indígenas que não se identificam com o sexo que nasceram também.

Hoje, liderando 70 indígenas, afirma que sempre foi totalmente aceita. 

 

“Sempre fui respeitada”

Acho importante citar que todos os indígenas concordaram com a decisão de tornar Majur cacique, especialmente porque ela é muito preparada para o desafio que assumiu.

E o fato de ser preparada é infinitamente mais relevante do que ser mulher transexual.

“Nunca sofri preconceito, se já sofri não me lembro, sempre fui bem respeitada”, afirma em entrevista. 

A trajetória de Majur

Em 2017, de acordo com reportagem do jornal Correio Braziliense, Majur passou no curso de fisioterapia e de antropologia, além de ser aprovada no processo seletivo para ser agente de saúde indígena.

A decisão que ela tomou foi permanecer na comunidade e assumir a vaga para cuidar da saúde na aldeia – algo que a preparou para exercer essa liderança, embora nunca tivesse sido o seu desejo.

Como filha do cacique, desde pequena teve uma educação que a preparou para esse momento tão importante, não só para a tribo, mas para indígenas e mulheres transexuais.

Mulher pode ser cacique?

É recente na história a presença de mulheres na liderança de tribos indígenas. Em 2016, segundo matéria da Trip, eram cerca de 20 mulheres indígenas caciques no Brasil.  Em 2020, pela primeira vez, uma mulher tomou posse como cacique do povo Xikrin do Cateté. Esses são só alguns exemplos.

Em um momento que vemos em risco as poucas conquistas dos povos originários do Brasil, acredito ser importante buscarmos informações qualificadas para combater o obscurantismo que teima em invadir a nação.

Gostaria de recomendar o curta Majur, que conta um pouco da trajetória dessa mulher transexual que se tornou cacique.

O conhecimento, na minha percepção, é o meio mais digno para atingirmos um novo patamar como sociedade.

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