Mulheres nas eleições: no Brasil 17% das cidades não têm vereadoras

Mulheres nas eleições: no Brasil 17% das cidades não têm vereadoras

Vimos, nestas eleições de 2020, candidaturas com pautas identitárias muito relevantes; e na prática, grupos feministas, antirracistas, minorizados e em defesa das causas LGBTQIA+ despontaram com propostas sólidas, conseguiram uma votação expressiva e, em algumas cidades, conseguiram se eleger, mas, de modo geral, não foi um bom resultado para as mulheres nas eleições.

Pelo contrário: um levantamento produzido pelo jornal O Estado de S. Paulo mostrou que 931 municípios do Brasil não elegeram nenhuma vereadora; em outras palavras, teremos 17% das cidades sem representatividade feminina nos próximos quatro anos.

Vale lembrar que temos uma lei que defende a cota de 30% de candidaturas de mulheres nos partidos, ou seja, candidatas que devem contar com o apoio das siglas. Entretanto, em cidades como Cotia, por exemplo, há 32 anos mulheres não são eleitas!

 

Mulheres nas eleições e representatividade na política

 

Essa situação me enche de vergonha e de preocupação. Como teremos leis capazes de defender as mulheres se não há representatividade? Como um homem terá sensibilidade para olhar para as necessidades femininas sem ter repertório dessas demandas? Não estou falando que um vereador é incapaz de ser empático; mas que a representatividade e a paridade nos levam a um outro patamar de civilização; nos ajuda a construir uma sociedade mais inclusiva.

Ah, mas Cotia é uma exceção, dizem alguns! Não. O levantamento mostra que, na Grande São Paulo, outras nove cidades também não elegeram mulheres – o que representa 30% de toda a região. Especialistas apontam que mesmo com as cotas, há inúmeras barreiras porque as pessoas eleitas refletem o ambiente interno partidário, ou seja, o maior apoio interno ainda é para os homens.  

Cabe analisarmos, também, o eleitorado. Pesquisando, encontrei dados de 2018 que apontam que Cotia possui 168.031 eleitores, sendo 88.353 mulheres, ou seja, 52,58% das pessoas aptas a votar no município são eleitoras.

Então, como a sub-representação feminina é explicada se há uma maioria feminina de eleitoras? É importante notar o quanto nós, mulheres, estamos sustentando o sistema patriarcal. Essa reflexão é tão urgente quanto a tomada de consciência de que temos, nas mãos e no voto, o poder para mudar o status quo. Hoje, no país, somos mais de 52% da população e do eleitorado! Vamos pensar sobre isso nas próximas eleições? Representatividade (e paridade) é a base de tudo.

 

| Por Lu Magalhães, presidente da Primavera Editorial