O direito de escolher a própria jornada

O direito de escolher a própria jornada

O que é ser mulher para você? Para mim, é ter que lidar com pressões e julgamentos constantes. É, por muitas vezes, não ter o direito de escolher a própria jornada. Não só na vida pessoal, mas também no ambiente corporativo.

Por isso, durante muito tempo, para ser tão competitiva quanto um homem – no mercado de trabalho, em especial – muitas de nós optaram por desenvolver comportamentos muito similares aos masculinos.  

Mulheres, educação e mercado de trabalho

 

Depois de anos investindo em preparo educacional, a ascensão profissional passou a ser um selo de qualidade – algo que comprovava para a sociedade que valeu a pena investir e passar tantos anos nos bancos escolares. Mas, mesmo com um diploma em mãos, quantas de nós, mulheres, engolimos as emoções para que o chefe ou a equipe subordinada não associasse a nossa humanidade à incapacidade de liderar (ou lidar) com o mundo corporativo?

E, indo além, quantas de nós já deixaram de ir em busca de um sonho profissional, por não terem o direito de escolher o próprio caminho? Claro que muita coisa já evoluiu. Hoje, olho para as novas gerações de garotas – assim como para as minhas filhas – e vejo o quanto elas conquistaram em termos de liberdade, ou melhor, de exercer o direito de escolher a própria jornada. Seja fazer ou não faculdade; de casar ou não se casar; ter filhos ou não; exercer a própria sexualidade de maneira plena; enfim, de serem elas mesmas! Óbvio que existem ainda muitos preconceitos e batalhas a serem vencidos, mas vejo que estamos no caminho. 

 

Gatilhos para a mudança: exercendo o direito de escolher a própria jornada

 

Todas essas questões me vieram à mente depois de uma conversa com Maria Barretto – que acaba de lançar o livro Natureza Íntima – Fendas de uma Mulher, pela Primavera Editorial. Vale contar que Maria é graduada em Administração e Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e atuou em organizações não governamentais de referência no Brasil e exterior. Como pesquisadora, viajou por todo o país, conhecendo as diferentes realidades sociais; em uma temporada de estudos em Londres se aprofundou nos temas sustentabilidades e branding.

 

Mas, depois de uma crise de estresse, em 2008, Maria repensou a vida. Perguntei o que a fez questionar o modo de vida que levava.

 

O depoimento completo comporá uma entrevista que estamos fazendo com ela, mas quero antecipar um trecho dessa honesta e poderosa narrativa de uma mulher que teve a coragem de mudar os caminhos para encontrar sua felicidade — e que tem inspirado e transformado a vida de muitas outras. 

“Tive uma passagem que foi marcante. Um dia me peguei chorando sentada em cima da privada. E, então, veio aquela voz interna, que quando a gente silencia, passamos a escutar. E, neste dia, eu escutei: ‘Isso não é necessário. Você tem o direito de escolher e pode trilhar seu caminho de outras maneiras’. A partir daí, comecei a sentir e perceber muitas coisas no meu corpo físico, que me mostravam que estava esgotada.

A cabeça e a mente bem agitadas, produzindo bastante, mas o corpo pedindo socorro. Na época, ainda não tinha filhos, mas já morava com João; estávamos, como um casal, construindo a nossa história. E, assim fui ficando mais atenta a mim, ao meu corpo – e às minhas emoções (que estavam meio congeladas). Fui percebendo que não curtia e nem cuidava, da forma que queria, de algumas relações que para mim eram muito preciosas. Que não tinha prazer no meu dia a dia, havia muito esforço e dedicação, mas não deleite. Estava ficando tudo muito mecânico.

Até que resolvi parar. Precisei de uma pausa, pois vi que não conseguiria trocar os pneus com o carro andando. A natureza para mim é sempre um grande lugar de sabedoria e inspiração. E para ela eu fui. Com este movimento, algumas coisas começaram a ficar claras e algumas decisões já mais factíveis de tomar. A partir daí, a jornada começou.

Na introdução do livro, conto com mais detalhes este caminho. Acredito muito na potência destes momentos incômodos que vivemos. E, se conseguimos mergulhar fundo, atravessaremos esta ponte e sairemos fortalecidas do outro lado.”
(Maria Barretto)

 

Ser livre para ser quem quiser

 

Hoje, Maria é uma estudiosa do sagrado feminino – filosofia que promove a consciência sobre os aspectos espirituais, mentais, emocionais e físicos das mulheres; que fala sobre as forças e capacidades; que estimula a conexão com a intuição e a natureza; e colabora para que tenhamos coragem de escolher o caminho que a gente quiser;  – assim, consolidou essa nova direção profissional singular.

A experiência da maternidade a aproximou ainda mais do feminino e a auxiliou a desenvolver uma metodologia de trabalho para que possa ser um apoio para mulheres que passam por dilemas ou momentos de transformação e transição: ter ou não filhos; se casar ou não; permanecer ou não com o marido; mudar de carreira ou mantê-la; fazer as pazes com os pais e/ou consigo; abdicar do papel de vítima; e a refletir sobre as próprias patologias, como pólipos, miomas e endometriose, entre outras tantas questões que habitam em nós, mulheres. 

À todas as mulheres que estão sentindo esse mesmo incômodo citado por Maria, – e àquelas que têm a curiosidade de conhecer a jornada singular dessa mulher incrível – recomendo a leitura do Natureza Íntima – Fendas de uma Mulher. É um livro inspirador!

Lu Magalhães, presidente da Primavera Editorial

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