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Paternidade abusiva e tóxica: uma reflexão importante

Paternidade abusiva e tóxica: uma reflexão importante

 

Não é uma tarefa trivial classificar uma paternidade como abusiva ou tóxica. As variáveis e os sentimentos envolvidos dão margem a enormes possibilidades de enganos. De acordo com a psicóloga Fernanda Pompermayer – em entrevista concedida à revista Capricho – há diferenças, por exemplo, entre pais controladores e abusivos. Enquanto os primeiros dão pouca autonomia aos filhos, não permitindo que tomem as próprias decisões, a paternidade abusiva é caracterizada por indivíduos que extrapolam o limite do respeito; alguns, se excedem na punição dos filhos (física e/ou verbal); apresentam comportamentos de intolerância extrema como reação ao “comportamento inadequado” de crianças e adolescentes.

 

Em tese, a casa deveria ser um lugar seguro e neutro; o mundo, lá fora, é que costuma ser hostil. Quando essa lógica é invalidada, há uma grande possibilidade de esse futuro adulto ter que lidar com sentimentos de menos valia; ter predisposição à ansiedade e depressão, além de não confiar nas pessoas. A paternidade pode ser abusiva e tóxica, como qualquer outro relacionamento. E, como sociedade, temos que falar seriamente sobre esse tema. 

 

Os resultados da paternidade abusiva

 

Enquanto os pais controladores podem dar origem a filhos inseguros e com grande dependência – mesmo quando adultos –, os controladores destroem a autoestima com críticas severas e constantes; com invalidação de sentimentos e emoções.

Essas relações abusivas afetam a saúde da mente, sobretudo dos mais jovens por serem mais suscetíveis ao desenvolvimento de traumas. Em tese, a casa deveria ser um lugar seguro e neutro; o mundo, lá fora, é que costuma ser hostil. Quando essa lógica é invalidada, há uma grande possibilidade desse futuro adulto ter que lidar com sentimentos de menos valia, ter predisposição à ansiedade e depressão, além de não confiar nas pessoas. A outra face da moeda, segundo a psicóloga, é se tornar um indivíduo agressivo – que adota o comportamento do agressor.

Acredito ser urgente falarmos sobre esse tema. A família é um núcleo que impacta diretamente na sociedade. Ela dever cuidar para que as crianças se tornem adultos saudáveis, inclusive, mentalmente.

Essa temática me chamou bastante atenção por conta de uma obra que lançamos na Primavera Editorial: o romance Nem tudo tem que ser seu, de Jami Attenberg. Um livro que está conquistando leitoras de diferentes faixas etárias pelo mundo, sobretudo por trazer uma compreensão profundamente humana de personagens complexos, que formam uma família disfuncional.  

 

Relacionamentos tóxicos em pauta

Figurando na lista de melhores títulos lançados na temporada – em publicações como People, Vogue, EW, New York Post, Observer e Buzzfeed –, a narrativa é uma exploração oportuna e penetrante do que significa ser pego na teia de um homem tóxico; mostra como um relacionamento abusivo pode envolver gerações e aborda o que é preciso para se libertar.

“Se eu sei o porquê de ele ser do jeito que é, talvez eu possa entender o porquê de eu ser do jeito que sou”, pensa Alex, a personagem central da trama. Ela é uma advogada cabeça dura, mãe amorosa e filha de Victor Tuchman – incorporador imobiliário sedento por poder. Agora que Victor está no leito de morte, ela sente que pode, finalmente, descobrir os segredos do pai. Para isso, viaja para Nova Orleans para estar com a família e, principalmente, para interrogar a mãe, Barbra, que se defende das perguntas incansáveis ​​de Alex e reflete sobre a vida tumultuada com Victor. Enquanto isso, Gary – irmão de Alex –, está incomunicável, tentando iniciar a carreira no cinema, em Los Angeles. A esposa de Gary, Twyla, está tendo um colapso nervoso, explodindo em choro. A disfunção está no auge.

À medida que cada membro da família lida com a história de Victor, eles devem descobrir uma maneira de seguir em frente, um com o outro, por si mesmos e pelo bem de seus filhos.

Claro que se trata de ficção, mas é tão próximo da realidade! Acredito que algumas leituras têm esse potencial de lançar luz a questões que devemos – inclusive, como sociedade – debater. Recomendo a leitura e a reflexão!

Lu Magalhães, presidente da Primavera Editorial.