cansaço mental entre as brasileiras aumenta. Mulher de máscara olha aflita pela janela.

O cansaço mental avança entre as brasileiras na pandemia

 

Claro que, antes da crise sanitária global, a pressão exercida – sobretudo entre mulheres que conciliam vida pessoal e profissional – já era enorme.  No entanto, o cansaço emocional e mental avança entre as brasileiras na pandemia.

Pesquisa: estamos mais cansadas mentalmente

Para entender o real impacto da pandemia na saúde emocional das brasileiras, a organização não governamental Instituto Bem do Estar e a NOZ Pesquisa e Inteligência conduziram a pesquisa Ser mulher: a saúde da mente delas com o apoio da organização PHI (Philantropia Inteligente).

Entre as conclusões, a ideia de que a multiplicidade de papéis impostos pela sociedade às mulheres é um dos principais fatores do adoecimento psicológico feminino. Com tanta pressão externa e interna para cumprir demandas diversas, as brasileiras acabam “sufocadas”, sobretudo, pela culpa. 

O impacto da pandemia no cansaço mental das mulheres

A dupla jornada – em especial, entre as mulheres casadas e as empreendedoras – afeta muito a vida e a saúde feminina. À lista de preocupações somam-se os problemas sociais como assédio moral e remuneração desproporcional.

A sobrecarga ficou ainda mais clara entre as mães na pandemia, sendo evidenciada pela falta de divisão dos trabalhos domésticos e da gestão dos estudos e do cotidiano dos filhos.

Esse cansaço mental aliado a dose extra de tarefas potencializa o risco de elas desenvolverem problemas psicológicos como ansiedade, transtornos alimentares, depressão e transtornos associados ao ciclo reprodutivo. 

Entre as mulheres com filhos, enteados ou crianças sob a sua responsabilidade (menores de 18 anos), conciliar maternidade e vida profissional foi o desafio que se tornou ainda mais difícil na pandemia.

 

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Entre as entrevistadas, 81% afirmaram ser mais ou muito mais difícil e desafiador nesse período da pandemia; 86% das mulheres casadas afirmaram ser mais difícil – ou muito mais difícil – conciliar maternidade e vida profissional. O percentual é de 72% entre as não casadas (solteiras, divorciadas ou viúvas), todas com filhos.

Juliana Vanin, uma das coordenadoras da pesquisa, afirma que esse resultado demonstra as consequências da sobrecarga de responsabilidades e a falta de divisão dos trabalhos domésticos, algo que fica mais evidente no dia a dia das mulheres casadas.

Dar espaço para pesquisas como essa é essencial para usarmos dados que comprovam a exaustão feminina diante das demandas contemporâneas. Estamos diante de uma crise que requer uma mudança de comportamento de toda a sociedade. Temos que redesenhar a nossa forma de lidar com a enorme carga que recai sob os ombros femininos.

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