Combater o racismo: “A carne negra foi a mais barata, hoje não é mais”

panfleto com o escrito: Racismo é um vírus

Combater o racismo: “A carne negra foi a mais barata, hoje não é mais”

 Quando Elza Soares canta “a carne do mercado é a carne negra, que vai de graça pro presídio e para debaixo do plástico” nos vemos diante de uma realidade perversa que insiste em ter lugar nas sociedades contemporâneas: o racismo.

Sei que a frase de Elza é muito forte, mas extremamente necessária para gerar reflexões para todos nós. Claro, hoje há uma consciência maior – como já apontou a própria cantora em algumas entrevistas.

Inclusive, consciente da história de sua ancestralidade, Elza mudou a letra da música “A Carne”, lançada em 2002. No verso que citei acima, ela alterou a desinência verbal.

“Foi a mais barata, hoje não é mais. ‘A (carne) que não valia nada, hoje vale uma tonelada’, né? Eu mudei no musical (“Elza — O Musical”, com direção de Duda Maia). Chega de massacre contra a carne negra. Porque a carne negra é a maioria, tá bom?”, se orgulha. (Leia essa entrevista de Elza Soares).

Entretanto, episódios como o assassinato de George Floyd e de tantos outros mulheres e homens pretos, sobretudo no Brasil, aponta que o racismo persiste por aqui (e em diversas partes do mundo).

 

O poder da leitura para expor e combater o racismo

 

Sempre defendi que a literatura tem um poder grande de fomentar e alimentar debates; e acredito, de fato, que a produção literária pode qualificar colóquios capazes de transformar a sociedade.

Por esse motivo, os títulos lançados pela Primavera Editorial têm essa preocupação que pontua nosso modo de trabalhar. Não é coincidência que uma das obras que estamos lançando toca exatamente nesse ponto (via ficção): do “valor da carne preta”. 

Considerado o livro do mês de junho de 2020 pelo Wall Street Journal, o romance conta a história de Lena Johnson, personagem central dessa ficção eletrizante. Uma mulher preta, protagonista de uma história incrível.

Escrito por Megan Giddings, o livro “Projeto Lakewood” é uma ficção que aborda o mundo aterrorizante (porém real) de experimentação médica e cobaias humanas. 

 

Projeto Lakewood

 

Quando a amada avó de Lena more – e toda a proporção da dívida da família é revelada –, ela deixa a faculdade e arruma um emprego na misteriosa e remota cidade de Lakewood, em Michigan. Na teoria, o novo trabalho é bom demais para ser verdade: salário alto, sem despesas médicas e com um lugar para morar. As descobertas feitas ali, mudarão o mundo, mas as consequências para os sujeitos envolvidos podem ser devastadoras. E, tudo o que Lena precisa fazer é participar de um programa secreto – e mentir para os seus amigos e familiares sobre a pesquisa que está sendo feita ali.

Provocativo e emocionante, Projeto Lakewood é um romance de tirar o fôlego, que traz esse olhar especial aos dilemas morais que muitas famílias da classe trabalhadora já enfrentaram (e enfrentam); e o horror que já foi imposto aos corpos – em sua maioria, corpos pretos – em nome da ciência.

Aliás, vocês já ouviram falar sobre as atrocidades do estudo de Tuskegee? Durante 40 anos, 400 homens negros com sífilis ficaram sem tratamento para permitir estudar a “história natural” da doença. E não foi acidente. 

A equipe da Primavera Editorial espera que a história do Projeto Lakewood possa levantar um debate social importante para os dias atuais. 

Boa leitura!

 

| Por Lu Magalhães, presidente da Primavera Editorial.