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Tudo sobre o livro: Um cara qualquer, de Amber Tamblyn

Capa do livro Um cara qualquer, de Amber Tamblyn

Tudo sobre o livro: Um cara qualquer, de Amber Tamblyn

Um cara qualquer é uma joia no quesito de estrutura narrativa. Combina gêneros como poesia, prosa e elementos de suspense para dar forma às narrativas chocantes das vítimas de violência sexual, identificando as formas destrutivas pelas quais a sociedade atual perpetua a cultura do estupro. 

 

Uma narrativa surpreendente

 

Ainda hoje me surpreendo com a forma que a narrativa se desenrola: os anos passam, os acontecimentos são muitos e as cicatrizes se unem em um espaço para levantar essas vozes feridas. Com pontos de vistas alternados – e uma assinatura para cada voz e experiência da vítima – as páginas de Um cara qualquer vão lhe gerar sentimentos que irão do horror à empatia… Amber desenha um retrato marcante da sobrevivência e é um tributo àqueles que viveram o pesadelo da agressão sexual.

Fizemos um apanhado geral sobre o livro: quem traduziu, quem desenhou a capa e as pessoas por trás da publicação aqui no Brasil. Tudo que você precisa saber sobre Um cara qualquer.

 

Cynthia Costa, tradutora do livro Um cara qualquer

 

PRI: Conta um pouco sobre você, Cynthia

– Sempre fui apaixonada por literatura e tradução literária. Atuo como tradutora há 12 anos e já traduzi cerca de 60 obras. Sou doutora em Estudos da Tradução pela UFSC e professora do curso de Tradução da UFU. 

 

PRI: Como foi o processo de tradução do livro. A mescla de poesia e prosa te trouxe alguma dificuldade adicional?

– A tradução de “Um Cara Qualquer” foi desafiadora por dois motivos principais: a troca constante de estilo e/ou gênero textual proposta pela autora e o tom dos relatos em primeira pessoa dos personagens masculinos. No primeiro caso, ao mesmo tempo em que era complicado passar da prosa à poética, da poética à notícia e até aos tweeties, também fiquei contente como tradutora por poder experimentar tantas formas literárias em um só livro. No segundo caso, quanto ao tom visceral dos relatos, a minha maior preocupação foi transmitir em português a dor e a emoção desses homens. 

PRI: Uma música e um filme que você indicaria como conteúdo complementar ao livro.

– A canção “Boys Don’t Cry”, de The Cure, me veio várias vezes à cabeça durante a tradução. Por mostrar a dificuldade de debater abusos sexuais na mídia e mesmo em nossas vidas pessoais, recomendo o filme “Spotlight – Segredos Revelados” (2015). A minissérie sueca “Millenium”, baseada nos livros de Stieg Larsson, também dialogam em algum grau com a obra de Amber Tamblyn. 

 

Um cara qualquer: a capa

Francisco Martins, proprietário da Nine Editorial, e que compôs esse projeto ousado:

O mundo gira em torno da interatividade, onde os usuários e produtos se integram e criam uma experiência. E porque não trazer essa realidade aos livros impressos? Assim o leitor pode interagir e despertar a sua curiosidade sobre o produto.

“Um cara qualquer” é um bom exemplo disso. É um experiencia com o livro que já começa na capa, com tipografia e design pontualmente posicionados, a ideia é deixar o leitor interagir e fazer parte da reflexão do livro naturalmente, como uma obra “viva”. O lettering da capa “quebrado” expressa a narrativa do livro, com diálogos curtos, idas e vindas na linha do tempo. “Um cara qualquer” sugere um design contrastante, com esse ar de “nem tudo é o que parece” ou “normalmente não é assim”, e essa é a ideia. Por isso, temos esses contrastes de cores do vermelho e preto interno que é marcado pelo triste, pela tragédia. O laranja da capa tem um ar de alegria, mas que também remete a ansiedade.

Para mim, o design não tem necessariamente que ser explícito e tampouco minimal ao ponto do leitor não compreender a ideia. Pensando nisso, o objetivo da capa foi expressar visualmente a grande “virada” do livro, sem criar um “spoiler”. E desse jeito, o leitor compreende de manera natural a mensagem seja durante, ou depois da leitura.

 

Sobre autora de Um cara qualquer: 

 

Amber Rose Tambly é uma atriz e poetisa estadunidense, indicada ao Emmy e ao Globo de Ouro. Tornou-se conhecida por seus papeis nas séries Joan of Arcadia e House M.D., e também pelo filme Quatro Amigas e um Jeans Viajante. Também participou da série Two and a Half Men como Jenny Harper, a filha perdida de Charlie Harper.

Tamblyn é feminista e também é uma das fundadores da organização sem fins lucrativos Time’s Up, criada para combater o assédio sexual no local de trabalho. 

Em fevereiro de 2005, Tamblyn foi ameaçada por um perseguidor. Ele prometeu “torturá-la por um milhão de anos”, entre outros atos de violência. Assustada, Tamblyn acionou a polícia. Uma medida cautelar foi emitida, proibindo o homem de se aproximar a menos de 100 metros dela.

 

Para se aprofundar mais sobre o livro:

 

Vídeo resenha por Redatora de M*%$#:

Resenha do audiolivro:

https://idris.com.br/blog/audiolivro/2020/10/26/resenha-audiolivro-um-cara-qualquer-amber-tamblyn/