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Venda de fetiches on-line: as excentricidades do mundo contemporâneo

 

De vendas de calcinhas usadas a casamento com boneca sexual, o mundo contemporâneo nos apresenta comportamentos excêntricos que são alimentados pelas redes sociais e plataformas que transformam tudo em produto, inclusive, os excêntricos desejos. Parece que estamos vivendo a era da venda de fetiches on-line.

 

Como funciona a venda de fetiches on-line?

 

Salvatore Garau vendeu uma obra de arte invisível por quase R$ 100 mil. A escultura imaterial é composta, de acordo com o artista plástico italiano, de ar e espírito. Em outro ponto do planeta, o fisiculturista Yuri Tolochko – que se casou, em 2020, com uma boneca sexual hiper-realista – anunciou a separação. Boatos creditam o fim do casamento ao fato de ele ter traído Margo, enquanto ela fazia uma “cirurgia plástica”, ou seja, passava por pequenos reparos. 

Na plataforma OnlyFans – na próxima semana, vou escrever sobre esse fenômeno entre as plataformas digitais –, a ex-Miss Bumbum Suzy Cortez vendeu água do próprio banho por R$ 37 mil. Em entrevista, a modelo disse que sempre gostou do inusitado; que valoriza a criatividade e ousadia, portanto, o pedido do fã para vender dois litros de água do próprio banho foi prontamente atendido pela moça que, inclusive, já vendeu um lençol usado por cerca de R$ 63 mil.  

Em fevereiro deste ano, o UOL publicou uma matéria sobre a trajetória de uma ex-faxineira de Londres que fatura R$ 372 mil vendendo calcinhas usadas e lascas de unha. Afundada em dívidas, ela resolveu tentar a sorte com a venda de fetiches on-line; o plano deu certo, e Yasmin Night, como é conhecida, vê dia a dia a clientela aumentar. Além das calcinhas, já vendeu absorventes usados, urina, cabelo, meias, sutiãs, aparas de unhas dos pés e biquínis! A história fica ainda mais curiosa quando um cliente decidiu ser mecenas de Yasmin, ou seja, um homem paga as contas delas – o que também é um fetiche.

Longe de moralismos ou patrulhas, procuro manter – ao ler essas notícias – uma postura de pesquisadora serena. Ou seja, assumo o papel de observadora do comportamento humano em suas diferentes nuances. Não cabe a mim julgar as manifestações do desejo ou os arranjos comerciais em torno dele, mas me dou a oportunidade de refletir sobre como estamos sendo influenciados por essas novas (acredito!) formas de viver e estar presente nas sociedades.

Qual o impacto dessa sociedade que construímos no cotidiano individual? Essa será uma história a ser contada pelo futuro!